Exposição
Vir a Existir
Curadoria Julie Brasil
De 12 de setembro a 8 de novembro 2026
De terça a domingo, das 9h às 16h
Museu histórico da cidade do Rio de Janeiro
Existir é colocar-se para fora, aparecer no mundo. Mas antes de existir, é preciso inventar. Entre o achado e a invenção não há uma linha, há uma dobra: tudo que se inventa é, de algum modo, algo que já estava ali, à espera de um olhar disposto a tropeçar nele. É dessa dobra que nasce Vir a Existir, mostra coletiva reunida a partir do Cedro da Gávea, ateliê e espaço de formação dirigido por Beth Rocha, instalado no alto do bairro, onde gerações distintas de artistas aprenderam — antes de qualquer técnica — a desacelerar o olhar.
Os quarenta artistas que compõem esta exposição, propõem uma experiência arqueológica e devaneadora, marcada pela diversidade de suas trajetórias. Há quem carregue décadas de prática consolidada na cena carioca — entre eles Alberto Saraiva, Bruno Miguel e Marcelo Albagli, professores que sustentam a pedagogia do ateliê, e os convidados Alvaro Seixas, Cadu, John Nicholson, Luiz Áquila e Milton Machado, nomes que atravessam a história da arte contemporânea no Rio e emprestam à mostra sua bagagem sem jamais se sobrepor às vozes mais novas. Há quem descubra agora o significado de expor — talentos em ascensão que chegam ao Cedro pela primeira vez e encontram, na convivência com quem já trilhou esse caminho, um chão comum. O resultado não é coeso por semelhança, mas por tensão: pensamentos e interesses que se intersectam, desenhando o próprio contorno do que é uma cidade.
Ateliê e urbe são organismos vivos em mútua afetação. Essa existência implicada ecoa em obras que investigam o intervalo entre dia e noite como tempo suspenso, ou que recortam o espaço entre edifícios, horizontes e montanhas, transformando o visível em portal para o quimérico.
Os trabalhos funcionam como um inventário afetivo de como experenciar o Rio de Janeiro: a frotagem de uma pedra transformada em monumento de papel sobre a escada; janelas, frestas e recortes geométricos que reconstroem fachadas de bairros; superfícies que desenham vínculos sobre a topografia de um território imaginário; palmeiras derrubadas registradas em papel vegetal antes de desaparecerem de vez. Cada obra é um fragmento retirado da experiência de caminhar, morar, atravessar esta cidade — oferecendo-se para ser reencontrado pelo olhar do visitante, que completa esse inventário com sua própria memória. O espaço do MHC não é pano de fundo: é palimpsesto, suporte sobre o qual essas outras camadas se depositam.
O poeta Manoel de Barros dizia que só é verdadeiro aquilo que se inventa — pois inventar e descobrir são o mesmo gesto de fazer o mundo vir a ser. Talvez seja esse o convite desta mostra: caminhar pela sala não para confirmar o que já se sabe sobre o Rio de Janeiro, mas para se permitir achar o que nem se sabia estar procurando. Fica a pergunta: o que, em você, está por vir a existir?
Julie Brasil
Artistas
Adriana Macedo
Adriana Montenegro
Alberto Saraiva
Alvaro Seixas
Ana Bárbara
Ana Regal
Andrea Cius
Anna Letícia Lacerda
Beth Rocha
Betina Guelmann
Bruna Traesel
Bruno Miguel
Cadu
Caio Vaz
Carlos Kaique
Clarissa Biolchini
Claudia Porto
Diego Pisa
Felipe Ocosta
Gabriel Mourão Angeli
Joana Kieppe
João Bellinghini
John Nicholson
Karina Faria
Lilian Pieroni
Luiz Áquila
Marcelo Albagli
Maria Inês Martins
Maria Raeder
Marise Barros
Milton Machado
Renata Dornelles
Rita Coppos
Sabrina Corrêa e Fernanda Botelho
Tatiana Frogel
Ticha Garcia
Tina Aguas
TOKO
Zilda Rocha